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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Governadores eleitos no 1º turno receberam R$ 120 milhões em doações 'ocultas'

Apesar de serem obrigados a prestar contas de suas receitas, os 18 governadores eleitos no primeiro turno arrecadaram cerca de 38% de suas doações de forma "oculta", ou seja, via partidos ou comitês financeiros, o que torna impossível identificar a origem do dinheiro.
O montante representa R$ 120 milhões, de um total de R$ 318 milhões arrecadados pelos governadores.
O valor doado a partidos e comitês é repassado para outros comitês e, por fim, aos candidatos, num caminho que chega a envolver até quatro intermediários.
A manobra, que é legal, permite que empresas doem a candidatos sem ter o nome associado diretamente a eles.
O campeão de doações ocultas entre os governadores eleitos é Siqueira Campos (PSDB-TO), com 98% de doações via partidos ou comitês. Em seguida, aparecem Raimundo Colombo (DEM-SC), com 92%, e Roseana Sarney (PMDB-MA), com 87%.
A partir das prestações de contas dos partidos e comitês financeiros, a Folha conseguiu identificar os maiores doadores aos partidos e a quem os partidos repassaram o dinheiro.
O governador reeleito de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), por exemplo, não recebeu nenhum centavo da Queiroz Galvão, mas a empreiteira doou R$ 500 mil ao diretório mineiro do PPS, que, por sua vez, repassou R$ 60 mil ao tucano.
No total, Anastasia recebeu doações de dez partidos e comitês, que representam 47% dos recursos.
Em Santa Catarina, a declaração de Raimundo Colombo informa que só quatro empresas foram suas doadoras, com R$ 250 mil. É só nas contas do comitê, que financiou 90% de sua campanha, que se vê que a maior doadora, indiretamente, foi a Camargo Correa (R$ 1 milhão).
A campanha de Eduardo Campos (PSB-PE), que custou R$ 13,8 milhões, foi financiada principalmente pelo diretório nacional, que bancou 61% do total.
Seu principal financiador, por sua vez, foi o grupo Queiroz Galvão, que doou R$ 6,5 milhões ao PSB Nacional, mas não aparece na prestação de contas de Campos.
Rosalba Ciarlini (DEM), do Rio Grande do Norte, recebeu 65% do total arrecadado por vias ocultas. A maioria veio do comitê financeiro de seu partido, cujo maior doador é a construtora EIT.
A empresa não aparece nas doações de Rosalba, mas doou R$ 1,1 milhão ao comitê do DEM no Estado --que, por sua vez, doou mais da metade do que arrecadou à candidata.


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ministro diz que é "trololó" oposição afirmar que mínimo pode passar de R$ 540

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, voltou a defender hoje (11) a política de reajuste do salário mínimo em vigor e disse que é “trololó” a afirmação da oposição de que o governo pode dar um reajuste maior no ano que vem. Ele tem defendido critérios técnicos para o reajuste do mínimo, que, no ano que vem, deverá passar dos atuais R$ 510 para R$ 538,15, podendo ser arrendondado para R$ 540.

Paulo Bernardo participou do programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços, quando foi questionado sobre a insistência do PSDB em elevar o mínimo para R$ 600. O argumento da oposição é que o governo não tem usado toda a verba destinada para investimento a cada ano e que, por isso, os recursos deveriam ser usados na concessão de um salário mínimo maior.

“Eu acho que, usando uma expressão de que os tucanos gostam muito, é um trololó [conversa inútil]. É normal que os parlamentares se posicionem defendendo aumento maior ou menor para o salário mínimo, mas daí a relacionar isso com obras que vêm sendo tocadas, é só discurso ”, afirmou.

Paulo Bernardo voltou a reafirmar que o atual critério de reajuste do salário mínimo foi negociado com vários grupos, incluindo as centrais sindicais, mas que nada impede mudanças no mecanismo de reajuste no próximo governo.


quarta-feira, 22 de abril de 2009

Lula constrói gigante regional único, diz 'Newsweek'

O Brasil vem se transformando na última década em uma potência regional única, ao se tornar uma sólida democracia de livre mercado, uma rara ilha de estabilidade em uma região conturbada e governada pelo Estado de direito ao invés dos caprichos dos autocratas. A afirmação é feita em artigo publicado na última edição internacional da revista americana Newsweek.

"Contando com a cobertura da proteção de segurança americana, e um hemisfério sem nenhum inimigo crível, o Brasil tem ficado livre para utilizar sua vasta vantagem econômica de seu tamanho dentro da América do Sul para auxiliar, influenciar ou cooptar vizinhos, ao mesmo tempo conseguindo conter seu rival regional problemático, a Venezuela", afirma o artigo.

Segundo a revista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "preside uma superpotência astuta como nenhum outro gigante emergente". O artigo foi publicado menos de um mês após Lula ter aparecido na capa da Newsweek, com uma entrevista exclusiva à revista após seu encontro com o presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca.

Poderio militar
A Newsweek observa em seu último artigo que enquanto outros países emergentes e mesmo os Estados Unidos contam com seu poderio militar como forma de afirmação, o Brasil "expressou suas ambições internacionais sem agitar um sabre".

A revista observa que quando há algum conflito na região, o Brasil envia "diplomatas e advogados para as zonas quentes ao invés de flotilhas ou tanques". O artigo também comenta que o Brasil tem se tornado uma voz mais assertiva para os países emergentes nos temas internacionais, contestando por exemplo os subsídios agrícolas dos países ricos.

"Nenhum governo foi tão determinado como o de Lula em estender o alcance internacional do Brasil. Apesar de ter começado sua carreira política na esquerda, Lula surpreendeu os investidores nacionais e estrangeiros ao preservar as políticas amigáveis ao mercado de Fernando Henrique Cardoso internamente, para a frustração dos militantes de seu Partido dos Trabalhadores. Para a esquerda, ele ofereceu uma política externa vitaminada", diz a revista.

Influência americana
A revista diz que os esforços brasileiros advêm da estratégia "não-declarada" de se contrapor à influência dos Estados Unidos e de dissipar as expectativas de que exerça um papel de representante de Washington", mas que nem por isso o País embarcou na "revolução bolivariana".

"Pelo contrário, Lula tem controlado a região ao cooptar os vizinhos com comércio, transformando todo o continente em um mercado cativo para os bens brasileiros", diz o artigo. "No fim das contas, o poder do Brasil vem não de armas, mas de seu imenso estoque de recursos, incluindo petróleo e gás, metais, soja e carne.

A revista afirma que isso também tem servido para conter a Venezuela e que a provável aprovação próxima da entrada do país de Hugo Chávez ao Mercosul não é "um endosso aos desejos imperiais de Chávez, mas uma forma de contê-lo por meio das obrigações do bloco comercial, como o respeito à democracia e a proteção à propriedade".

"Isso pode ser política de risco. Mas as apostas estão nos brasileiros. Sem um manual para se tornar uma potência global, o Brasil de Lula parece estar escrevendo o seu próprio manual", conclui a Newsweek.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Aécio descarta possibilidade de ser vice em 2010

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, descartou ontem a possibilidade de integrar a chapa do PSDB nas eleições presidenciais de 2010 como vice. Ele justificou seu posicionamento com o fato de que, independente do nome aprovado pelo seu partido para concorrer à Presidência da República, o ideal seria que o PSDB fizesse uma composição com aliados.


"Sequer cogito esta possibilidade (de ser vice). Até porque acho que isto não é necessário. O meu apoio ao José Serra (governador de São Paulo), se ele vier a ser o candidato do meu partido, independe de qualquer posição na chapa. Acho, inclusive, que num quadro partidário tão plural quanto é o brasileiro, em que nós devemos buscar novas alianças, novos parceiros para governar, seria uma certa presunção do PSDB achar que solitariamente deva compor uma chapa", disse Aécio, que participou o Fórum Econômico Mundial na América Latina, realizado ontem no Rio.


No rol de aliados, o governador citou o DEM, o PPS e o PMDB, este último partido de sustentação do governo Lula. "Os partidos que hoje apoiam o governo não farão, necessariamente, uma transferência de apoio para 2010. Acredito que ocorrerão mudanças, até mesmo por conta de importantes alianças estaduais que estão sendo formadas", avaliou Aécio.


O governador de Minas minimizou o impasse entre ele e o governador de São Paulo, José Serra, em relação à data para a realização das prévias que escolherão o candidato do partido para 2010. "Tivemos, num determinado momento, opiniões distintas, não divergentes. Houve algumas diferenças em relação a datas, mas não uma oposição. Algumas especulações diziam que eu queria uma data pré-prazo de desfiliação, mas isso não faz o menor sentido. Acho que no final do ano, entre novembro e dezembro, seria o melhor momento. Mas se for no início do ano que vem, não tem problema", disse ele.


Aécio afirmou ainda que deve se reunir com Serra e outras lideranças do partido nas próximas semanas para definir a melhor data para a realização da prévia, que, segundo ele, "também ajudará a fortalecer e refundar o partido". Perguntado sobre o apoio de Lula à candidatura da ministra Dilma Rousseff, Aécio afirmou que é "legítimo que o presidente apoie um candidato". Ele disse, ainda, que a presença de Dilma na disputa "garantirá uma campanha de alto nível".